segunda-feira, 15 de agosto de 2016

“Banda dos Contentes” – 40 anos




Na primeira metade dos anos 1970, Erasmo Carlos vivia uma plena transformação na sua carreira artística. Havia se desvencilhado da imagem de pop star da Jovem Guarda e se transformado num artista mais maduro e buscando novos horizontes. Para tanto, procurou ampliar o seu arco de referências musicais, flertando com o samba, com a soul music e a MPB, sem com isso abandonar o rock. Nessa nova fase, além da parceria com o “amigo-irmão” Roberto Carlos, Erasmo gravou canções de gente do alto escalão da MPB como Caetano Veloso, Jorge Ben, Marcos Valle, Taiguara entre outros.

Toda essa bagagem resultou na sequência dos melhores álbuns da sua carreira como Carlos, Erasmo… (1971), Sonhos e Memórias – 1942-1972 (1972), 1990 – Projeto Salva Terra (1974) e Banda dos Contentes (1976), álbuns que tornaram Erasmo um artista respeitado pela crítica.

Desse quarteto de álbuns, o mais bem sucedido foi Banda dos Contentes. Se os álbuns anteriores agradaram a crítica, Banda dos Contentes não só foi sucesso de crítica como também de público. Em Carlos, Erasmo…  e Sonhos e Memórias – 1942-1972, Erasmo navegava nos mares da MPB, mas em Banda dos Contentes, o Tremendão retorna ao rock, processo que havia começado com o anterior, 1990 – Projeto Salva Terra. Mesmo assim, sua experiência com a MPB permanece em Banda dos Contentes ao gravar canções de Gilberto Gil, Belchior, Ruy Mauriti e Jorge Mautner.

Produzido por Guti Carvalho 
e Erasmo Carlos, Banda dos Contentes foi puxado pelo hit “Filho Único” (Erasmo - Roberto), música que entrou para a trilha sonora da novela Locomotivas (1977), da Globo, e se tornou um grande sucesso no rádio e na TV. 

Erasmo é tido por alguns como o primeiro gravar “Paralelas”(de Belchior), antes mesmo do autor e com a letra original. Mas há controvérsias a respeito desse pioneirismo. Vanusa gravou “Paralelas” para o seu álbum Amigos Novos e Antigos, de 1975, ou seja, antes de Erasmo. Belchior só gravaria a sua própria canção em 1977 para o álbum Coração Selvagem. De qualquer forma, a versão rock balada de "Paralelas" feita pelo Tremendão ficou ótima.

O álbum de Erasmo segue com outros destaques como “Queremos Saber” (do Gil), “Análise Descontraída” (Erasmo - Roberto) e a própria faixa-título (também de Erasmo - Roberto) que dão prosseguimento aos temas existencialistas que o Tremendão já havia abordado nos álbuns anteriores. “Continente Perdido (Terra de Montezuma)” (de Mauriti), fala da cultura asteca antes da chegada dos espanhóis. “Baby” (Roberto - Erasmo) questiona o radicalismo feminista, e se mostra, 40 anos depois, muito atual num momento em que vivemos tempos de protestos radicais e ideologias extremistas. “Billy Dinamite” é um country music que faz o ouvinte se transportar para algum filme de faroeste de John Wayne.


A arte gráfica de Banda dos Contentes, que tem capa dupla, é uma atração à parte. A parte interna do álbum traz uma bela ilustração de Benício, mostrando vários Erasmos linchando um Erasmo encurralado e apavorado. Uma obra gráfica que também é bem atual, em tempos em que qualquer opinião diferente, é capaz de gerar linchamento nas ruas ou nas redes sociais.

Em 2013, Banda dos Contentes foi incluído na série Três Tons, da Universal Music. A caixa Três Tons de Erasmo Carlos, trouxe três CD’s Carlos, Erasmo…, Sonhos e Memórias – 1942-1972Banda dos Contentes, todos remasterizados e com as artes gráficas originais.


"Filho Único"


"Paralelas"


"Queremos Saber"


"Baby"


"Continente Perdido (Terra de Montezuma)"

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